VIDEOdança

Ruidosa Alma & Artêmista

Experimentos que reúnem investigações corporais em diálogo com os processos criativos audiovisuais.

Rui Carlo

ATO: EXPASSOS


A beira

do precipício

do malefício

A sangria desatada

O nó esfarelado dentro de minha cabeça

Um grito a loucura

de onde estou a beira

-

Concepção e performance: Rui Carlo
Produção e pós produção: Ruidosa Alma.
Musica: Rubidium, Portico Quartet

Rui Carlo & Samuel Pretto

RALO .002


cidades são pra ficarem na infância
porque o Mundo é o lugar das andanças

a gente leva junto pelas ruas
onde quer que elas existam
as ruas das primeiras lembranças

não dá bola pra distância
geografias são só circunstâncias

e todas elas um poucos tuas
e de todos que tomam ruas
Onde só o caminho não se cansa

-

Concepção e performance: Rui Carlo e Samuel Pretto

Produção e pós produção: Rui Carlo e Samuel Pretto

Musica: Faux, Devoted to God,

Andressa Bittencourt, Rui Carlo e Samuel Pretto

RALO .005


"o término do profundo
pelo raso
é um arraso sem fundo
um muro duro de tombos
duas vidas pelo ralo" - Fábio Rocha

-

Concepção: Ruidosa Alma

Performers: Andressa Bittencourt e Samuel Pretto

Edição: Rui Carlo

Música: Jack Garratt, The Love You're Given

Rui Carlo & Samuel Pretto

ex pas.sos .002

Oriundo de um mergulho fui ao mundo
fecundo de natureza, nasci
Lá nofundo entendi...
confundi,
me perdi na correnteza...
Me encontrei na gentileza
Da nascente, da vertente
Da corrente, de repente
Na tangente, da gente
Ente
Entendi!

Descobri, consciente
Paciente, vivente
Vida parida!
Em dias...
Folias!
Alforrias, autarquias,
Monarquias...

Escuro e luz!
Capuz?
Cruz?
Reluz...

Tá, Fim na(l) mente
O entendimento.

- Magnum

Performers: Rui Carlo and Samuel Pretto
Edição: Rui Carlo

Fotografia: Samuel Pretto

Rui Carlo & Samuel Pretto

ex pas.sos .004

Não durmo, nem espero dormir. 
Nem na morte espero dormir. 

Espera-me uma insónia da largura dos astros, 
E um bocejo inútil do comprimento do mundo. 

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite, 
Não posso escrever quando acordo de noite, 
Não posso pensar quando acordo de noite — 
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite! 

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer! 

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo, 
E o meu sentimento é um pensamento vazio. 
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam 
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo; 
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam 
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo; 
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada, 
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo. 

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro. 
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo. 
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda. 
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer, 
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir. 

Estou escrevendo versos realmente simpáticos — 
Versos a dizer que não tenho nada que dizer, 
Versos a teimar em dizer isso, 
Versos, versos, versos, versos, versos... 
Tantos versos... 
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim! 

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir. 
Sou uma sensação sem pessoa correspondente, 
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê, 
Salvo o necessário para sentir consciência, 
Salvo — sei lá salvo o quê... 

Não durmo. Não durmo. Não durmo. 
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma! 
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir! 

Ó madrugada, tardas tanto... Vem... 
Vem, inutilmente, 
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta... 
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste, 
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança, 
Segundo a velha literatura das sensações. 

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança. 
O meu cansaço entra pelo colchão dentro. 
Doem-me as costas de não estar deitado de lado. 
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado. 
Vem, madrugada, chega! 

Que horas são? Não sei. 
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio, 
Não tenho energia para nada, para mais nada... 
Só para estes versos, escritos no dia seguinte. 
Sim, escritos no dia seguinte. 

Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte. 
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora. 
Paz em toda a Natureza. 
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras. 
Exactamente. 
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras. 
Costuma dizer-se isto. 
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece, 
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece. 
Exactamente. Mas não durmo. 

Álvaro de Campos

Performer: Rui Carlo

Edição: Rui Carlo

Fotografia: Samuel Pretto

Produção: Ruidosa Alma

Elizabeth Silveira, Rui Carlo e Samuel Pretto

ralo .009


Ser livre – como diria o famoso conselheiro… – é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho… Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado – é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.
Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.
E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!…
Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos – linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…”
- Cecília Meirelles

Performers: Elizabeth Silveira, Rui Carlo e Samuel Pretto

Produção: Rui Carlo e Samuel Pretto

Edição: Rui Carlo

Rui Carlo & Samuel Pretto

EX PAS.SOS .TUMTUM

“Dancem, quando ficam esquartejados. / Dancem, quando te tiram as vendas violentamente. / Dancem, quando te encontras no meio da luta. Assim teremos caído no lugar / onde tudo é música. Aposta tudo o que tens para alcançar o amor / aposta tudo / se és um ser humano de verdade”.

:: Rumi :: WansPiess 


Performers: Rui Carlo & Samuel Pretto

Edição: Rui Carlo

Fotografia: Rui Carlo e Samuel Pretto

Produção: Ruidosa Alma